Uma reflexão sobre amizade

Sempre busco inspiração para meus artigos “filosóficos” no mundo ao meu redor e muitas vezes isso vem do consultório, das minhas observações por onde passo e dessa vez também de uma data comemorativa: Dia do Amigo, comemorada em 20 de julho. Data bonita, que arranca de nossos corações sentimentos e palavras doces sobre pessoas com quem nos identificamos, nos divertimos, compartilhamos interesses e momentos e algumas vezes, dores e sofrimentos.

Todos desejam ter amigos. A vida é mais alegre quando nos relacionamos e encontramos pessoas para compartilhar. Amizade é troca, é saber se doar, mas também receber; amizade é saber se alegrar com as vitórias, mas saber chorar junto com as derrotas; amigos são para falar de coisas sérias e também de coisas “nada a ver”; amigos gostam de receber convites e de nos convidar também. E para isso podemos ter amigos diferentes, porque as pessoas são diferentes e podem nos oferecer coisas diferentes.

Se pararmos bem para pensar, temos vários tipos de amigos e de amizades. Uns são nossos companheiros de bar, de compras, de esportes, de trabalho, escola e de condomínio, outros vêm desde a infância, podem ser da família ou mesmo da internet (em tempos modernos).

E é importante saber disso para podermos adequar nossas expectativas, que por muitas vezes, são bem mais altas do que aquela amizade comporta. Existe um ditado bem popular que diz assim: “Me diga com quem andas e direi quem és”. Na verdade, não podemos ser rotulados por nossas companhias, contudo vale refletir que tipo de pessoas nos atraem, que amizades nos enriquecem, que amizades nos frustram e porquê, e o que temos investido nessas amizades.

Não, os relacionamentos não simplesmente fluem, mas são construídos pouco a pouco, regados como uma flor bem delicada, ou como uma rosa, diria o pequeno príncipe. Será que estamos fazendo isso? Nossos amigos estão? Desejo que sejamos e tenhamos "amigos mais chegados que um irmão" (Prov 18.24), esses são raros, mas essenciais.

E para terminar vai uma citação muito antiga, de Sêneca, um filósofo romano nascido no ano 4 A.C., conhecido do apóstolo Paulo e que já se preocupava com essa questão: “Quem pensa no seu interesse e procura fazer amizade por este motivo, está no caminho errado. Na verdade, do jeito que tal amizade começou, do mesmo modo vai acabar; se ele procurou um amigo que o ajudasse a se livrar das amarras, logo que ouvir o barulho das cadeias caindo, ele fugirá. É esse tipo de amizades que o povo chama de conformes à oportunidade; de fato, quem foi acolhido como amigo por interesse, vai ser aceito só enquanto a sua presença for útil".

Invista em você!