Perdão não pede justiça, mas misericórdia

Às vezes precisamos perdoar e precisamos de perdão, mas o perdão mais difícil é aquele que temos que nos dar.

Talvez tenhamos muitos arrependimentos, talvez tenhamos poucos que valem por muitos, de qualquer forma a única maneira de nos libertarmos é através do perdão. Talvez seja difícil para outros nos perdoarem, mas nós, independente dos outros, podemos nos dar nessa dádiva e acreditar que acima de nós há alguém que pode nos perdoar infinitamente mais (isso para aqueles que acreditam!).

Por isso podemos aproveitar para pedir perdão a nós mesmos ou a qualquer que se interesse em nos perdoar! Perdão por não entender as coisas que deveriam ter sido entendidas; perdão por falar demais, por falar de menos; perdão por fazer escolhas que machucam; perdão por perder a cabeça; perdão por querer ter razão; perdão por achar que era o melhor; perdão por não ouvir; perdão por não querer; perdão por querer demais; perdão por não enxergar; perdão por não acreditar; perdão por acreditar demais; perdão por se desesperar; perdão por não conseguir ser mais; perdão por insistir; perdão por desistir; perdão por não superar; perdão por ainda não conseguir perdoar.

O auto perdão é um dos maiores exercícios de auto amor, porque aceitamos nossa humanidade, que somos falíveis e que não temos o controle de tudo. E quando descobrimos tudo isso a nosso respeito, podemos dar a mão àquele que nos machucou, voluntariamente ou não.

Há muitas pessoas doentes emocionalmente porque não liberam perdão, não têm a humildade de pedir e conceder perdão. O perdão não pede justiça, mas sim misericórdia!

Perdoar não é esquecer, mas lembrar sem sentir dor; não é permanecer ao lado, concordar com a ofensa, muito menos compactuar e reforçar repetições. Perdoar é se libertar e libertar o outro. A falta de perdão perpetua nosso sofrimento, nos prende ao passado, ao ressentimento e alimenta nosso desejo de vingança.

“Fácil, mas muitas vezes inacessível;Disponível, mas frequentemente esquecido; Libertador para o outro, mas ainda mais para nós próprios. Tão falado e tão mal compreendido; Tão humano, e contudo tão fantasiado; Tão vital mas tão temido. Concedido para a paz da alma e, no entanto, tão ameaçador. Misterioso, mas tão banal; Tão divino e tão humano”. (Renato Rubim)