Jeitinho brasileiro

Esse termo é popularmente conhecido e estampado com orgulho. Todos nós, pelo menos uma vez na vida, já nos orgulhamos de algum “jeitinho” que demos para resolver ou conseguir alguma coisa. Esse tal jeitinho brasileiro denota esperteza, criatividade, jogo de cintura, mas pode também demonstrar nossa corruptibilidade, ou seja, nossa capacidade de sermos corruptos.

- “Corrupção? Não, isso é coisa de políticos, não tem nada a ver comigo.” Engana-se quem pensa assim.

Gosto muito de pessoas criativas e criatividade não precisa ser, literalmente, ligada às artes, pois usamos todos os dias do acordar ao ir dormir. Criatividade nos ajuda a encontrar saídas, a resolver problemas, a mudar caminhos e a nos divertir.

Sempre estimulo os meus pacientes e clientes a serem criativos, que estimulem seus neurônios, que façam novas conexões. Porém, o que mais vejo hoje em dia é um mundo infindável de jeitinhos que demonstram uma cultura doente e que gera doença, na maioria das vezes, doenças da “alma”.

Estamos mais imediatistas, menos tolerantes, mais extrovertidos, menos introvertidos, mais individualistas e menos comunitários. Perdemos a noção do grupo, da equipe, de fazermos parte de um mesmo plano e das consequências de nossas ações para os outros.

Ficamos mais complexos e esquecemos a simplicidade das coisas, ficamos mais consumistas e temos muitas coisas, compensando nossa baixa autoestima, nossa solidão, nossas frustrações. Sonhamos com um mundo melhor, cobramos do governo, dos líderes, das empresas, mas esquecemos da nossa parte.

Afinal, do que vale fazer sozinho (esse é o nosso argumento). Vamos fazer a nossa parte e abrirmos mão do “jeitinho” egoísta para exercitarmos nossa cidadania, nossa humanidade, e assim, fazendo um a um a nossa parte, poderemos sonhar com um mundo melhor.

É um convite que a atende a muito lida e pouco praticada frase de Mahatma Gandhi : "Temos de nos tornar a mudança que queremos ver no mundo".

Invista em você!