Ser mulher

Um dia resolveram queimar os sutiãs e tudo (quase tudo) mudou!

Sim, as coisas mudaram tanto para as mulheres como para os homens. A figura cuidadora da mulher, mãe, esposa, dona de casa, foi acrescida de novos papéis, destacando-se a profissional e a “mulher”. As mulheres não trabalhavam em sua maioria em nossa cultura, portanto eram sujeitas aos maridos e suas escolhas e decisões. As mulheres não exploravam sua sexualidade, se dando o direito ao prazer. As mulheres viviam apenas para os outros, claro existiam exceções, mas eram exceções.

A mudança sempre vem para melhor, mesmo quando dolorida, porque a mudança promove movimento, criatividade e adaptação. Então a meu ver, essa mudança toda da mulher foi positiva, porém, como tudo, teve seu preço...

As mulheres de hoje se dividem em seus inúmeros papéis e com sua conhecida capacidade multitarefa, assume muitas atividades, e se sobrecarrega, e se cobra, e se estressa. E às vezes, até esquece que é mulher, feminina e pode ser feliz!

Contraditório? A vida pode ser contraditória.

Nesse artigo quero convidar a reflexão homens e mulheres sobre o ser mulher hoje. Minha intenção não é expor uma verdade absoluta, pois não existe, mas levantar alguns questionamentos e sugerir alguns resgates.

Vamos começar em casa. Muitos lares são chefiados por mulheres, seja porque são mães solteiras, divorciadas ou porque os homens estão se permitindo novos papéis. A mulher, por suas características, talvez inatas, de cuidado e proteção, continua seus afazeres domésticos, atenção com os filhos, organização de rotina familiar.

Vamos para a vida profissional. Cada vez mais estudadas e assumindo cargos de confiança. A mulher conquista seu espaço, mostra sua capacidade e compete de igual forma com os homens. Trabalha até 10, 12 horas por dia, cumpre suas atividades profissionais e ainda mantém os “olhos” em casa.

E quanto à individualidade, liberdade sexual. A mulher está cada vez mais escolhendo seus parceiros "da noite" e de vida. Sabe que hoje não precisa ser a escolhida, pode escolher. Pode se permitir relações por prazer, por amor. E ainda tem a ginástica, o salão de beleza e o encontro periódico com as amigas.

Nossa quanta coisa! Cansei! Liberdade, sem dúvida, nos leva a responsabilidade.

As mulheres são livres para escolher, para ir e vir, e para ser o que quiserem, mas existem consequências. Já dizia Pablo Neruda que somos livres para fazer nossas escolhas, mas prisioneiros das consequências.

As consequências, em sua grande maioria, são positivas, mas existem algumas consequências não tão boas disso tudo.

Bom, como toda mudança, podemos passar de um extremo ao outro rapidamente. De mulher dedicada exclusivamente a família (que também tinha seus méritos e importância em ser assim), podemos ir ao extremo de não valorizar mais certos valores e princípios, como a família, o respeito ao próprio corpo, o respeito aos nossos limites físicos e emocionais. Por vezes, esquecemos que somos mulheres e não homens.

E por mais que tenhamos direitos iguais, não somos iguais aos homens. Nosso corpo não é igual, nossa forma de ver as coisas não é igual, nossos hormônios não tem a mesma função. Não somos melhores, nem piores, temos capacidades semelhantes, embora façamos algumas coisas de modo diferente.

Podemos ser femininas e extremamente competentes. Podemos ser delicadas, sem sermos fracas. Podemos ser sábias (a conhecida sabedoria feminina) e inteligentes. Não precisamos abrir mão de nossa essência, do ser mulher. Mesmo quando somos impelidas a provar nosso valor, antes de tudo, nós precisamos sim, é estar convictas desse valor.

Termino esse artigo deixando mais uma reflexão: “A mulher, ao reivindicar o direito inato ao feminino, impulsionará um renascimento cultural de si e de todos, ajudando a humanidade a evoluir e restaurar a harmonia e a paz." (Carter & McGoldrick)

Invista em você!