Melancolia

Quem nunca se sentiu melancólico, bucólico em um dia, literalmente, nublado ou quando as circunstâncias estão nubladas e estamos passando por perdas significativas na vida? Em países muitos frios ou constantemente nublados existe até uma estatística do número de pessoas com depressão. Já discuti isso no meu artigo ‘Depressão no Inverno?’.

Hoje quero discutir a melancolia ligada a perdas. Freud em seu artigo sobre esse assunto comparou a melancolia com o luto. É muito interessante a forma que se assemelham e se diferenciam. O luto é reação à perda de um ente querido por morte ou separação, de um trabalho, de um ideal, de um status.

As pessoas de luto costumam se afastar de suas atividades normais por um tempo, passar por sentimentos de tristeza e de adaptação à mudança, e isso não é considerado algo patológico. As pessoas, tão logo, se recuperam (não que esqueçam) buscam novas fontes de interesse, de amor, se adaptando ao teste de realidade de que precisam se desligar para continuar.

Para Victor Hugo "A melancolia é a felicidade em ser triste". Na melancolia ou no luto que evolui para a melancolia há uma perturbação intensa da autoestima da pessoa. Ela não consegue fazer esse desligamento, não consegue fazer o teste da realidade para se adaptar, mantém sua ligação com o objeto idealizado de seu amor, que na verdade não quer abrir mão, pois significaria abrir mão de si mesmo.

Ao mesmo tempo que continua com essa ligação, seus sentimentos ambivalentes sobre o que perdeu não se resolvem, mas se voltam contra si mesmo em forma de baixa autoestima, com recriminações, punições, desvalorizações de si mesmo constantes. O melancólico acredita nisso e mesmo que se mostre o contrário, essa é a sua verdade.

Podemos passar por um processo melancólico e assim como o luto ele desaparecer após certo tempo, mas a preocupação é quando esse processo se estende e passamos a vivenciá-lo constantemente sem sombra de dúvida de nossas ‘verdades melancólicas’.

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