Compulsão à repetição

Vamos começar contando uma histórinha. Era uma vez...

Sísifo, soberano de Corinto, exercia grande tirania com seu poder e assim provocou a ira de alguns deuses. Como punição recebeu uma tarefa árdua: empurrar uma enorme pedra até o pico de uma das montanhas mais altas que existia. E assim, Sísifo ao empurrar a pedra até o topo da montanha, sentia-se sem forças quase ao chegar lá e então, a pedra rolava encosta abaixo e ele tinha que recomeçar tudo de novo, e assim ía por toda a eternidade.

Talvez você já tenha ouvido falar do Mito de Sísifo, talvez com um enredo diferente, mas provavelmente com a mesma conotação. Uma história antiga, mas tão atual que encontramos esse personagem em várias pessoas ao nosso redor e quem sabe quando olhamos para nós mesmos, nos pegamos rolando a mesma pedra há anos também. Isso chama-se compulsão à repetição.

Essa compulsão está presente em todos nós, funcionando como um resgate de problemas mal resolvidos e portanto, serve para buscar uma resolução eficaz. Sim, repetimos porque não queremos mais repetir.

Confuso? Sem dúvida, mas desde quando nossas emoções e sentimentos mais profundos são lógicos e racionais?

Já se perguntou porque nos envolvemos em relacionamentos afetivos sempre muito parecidos? Ou porque buscamos empregos que nos garantem conflitos semelhantes? Ou mesmo porque nos incomodamos com as mesmas coisas nas pessoas que convivemos, como se isso lembrasse algo?

Existem teorias que discutem que ao repetir a mesma situação, buscamos dar uma resolução até então não encontrada e assim passar para a problemática seguinte. Outros dizem que aprendemos a ter certos padrões de pensamentos e comportamentos e levamos isso pela vida afora, influenciando nossas escolhas.

Não importa nesse momento discorrer sobre os porquês dessa compulsão, porque seriam muitos e baseados em cada história de vida, que é tão singular e bela ao mesmo tempo. Contudo, podemos repensar se queremos ficar nesse círculo vicioso, porque temos escolhas e podemos arduamente trabalhar para fazer as melhores.

Nascemos com tendências, vivemos experiências que marcam, tivemos modelos fortes em nossas vidas, mas hoje podemos reconhecer esse funcionamento em nós, reavaliar o que queremos mudar e fazer os esforços necessarios para uma mudança efetiva e eficaz.

Como? Alguns por meio de muitas reflexões, certamente dolorosas; outros por meio de um intensivo automonitoramento; ainda alguns recebendo ajuda de alguém, e claro a terapia pode ser uma excelente ferramenta para ajudá-lo. O importante é começar sua caminhada rumo à liberdade.

Invista em você!