Como é sofrer de Transtorno do Pânico?

Taquicardia, dor/desconforto no peito, náuseas, tontura, falta de ar, tremores, “embaçamento” da visão, formigamento, sudorese, boca seca, dificuldades para engolir, ondas de calor ou frio, sensação de irrealidade, sensação de “morte”. Essas são as principais queixas trazidas ao psicólogo e/ou psiquiatra pelos pacientes, após passarem por várias especialidades médicas (clínico-geral, gastroenterologista, neurologista, cardiologista...) e pronto-socorros.

A pessoa sente algo muito errado acontecendo com seu corpo, sua saúde, mas os exames clínicos nada detectam e então são, finalmente, encaminhados aos profissionais de saúde mental. Daí vem o diagnóstico: Transtorno do Pânico e o medo de nunca mais saírem disso.

O transtorno do pânico pode ser caracterizado pela ocorrência de inesperados ataques de pânico e por um intenso medo de ter novos ataques, que consistem em períodos de intensa ansiedade, geralmente com início súbito e acompanhados por uma sensação de catástrofe.

A freqüência das crises varia de pessoa para pessoa e sua duração é variável. A reação de pânico pode ser uma reação normal quando existe uma situação que realmente justifique seu surgimento, como por exemplo, risco real da morte (incêndios, afogamentos, assaltos, pré-operatórios).

Só passa a ser patológico quando essa reação ocorre sem nenhum motivo aparente. Geralmente os ataques de pânico começam com um susto a uma reação física do corpo (ansiedade inicial) e a partir daí surge uma série de pensamentos e interpretações negativas sobre o que está ocorrendo, como: - “Vou desmaiar!”, - “Vou enlouquecer!”, “Vou perder o controle!”, ou mesmo, - “Vou morrer!”.

As causas dos ataques de pânico ainda não são claras, mas percebe-se que as pessoas que desenvolvem o Transtorno do Pânico tem ou tiveram algumas dificuldades em regular seu estado interno (humor, motivação, auto-controle) e uma grande fragilidade em criar e manter vínculos.

Esses 2 processos começam a se moldar nas experiências precoces de vida e nos relacionamentos que deveriam propiciar mais segurança emocional (geralmente a referência inicial é a mãe), tornando uma pessoa mais vulnerável a desenvolver transtorno de Pânico ou alguma outra patologia de ansiedade.

O diagnóstico do transtorno do pânico possui critérios bem definidos, não podemos classificar como transtorno do pânico qualquer reação intensa de medo e muito menos sem descartar qualquer problema orgânico (hiper ou hipotireoidismo, doenças cardíacas e neurológicas).

O tratamento inicialmente indicado é multidisciplinar entre psicólogo e psiquiatra, aliando a medicação e psicoterapia. Se o paciente não quiser usar a medicação, pode optar por uma psicoterapia especializada, sendo a cognitivo-comportamental a mais indicada. Contudo, o contrário, tratamento só com medicação, apresenta um índice maior de recaídas.

Atenção: É comum os pacientes de pânico sofrerem tanto pelos ataques de pânico quanto pela incompreensão de seus amigos e familiares. Se conhecer alguém nessa situação, a melhor dica é insistir com ela para a busca de ajuda profissional, evitar dar conselhos que não funcionam: -“Relaxe!”, -“Não seja covarde, enfrente o problema!” ou mesmo facilitar a vida da pessoa fazendo tudo por ela.

A melhor medida é o bom senso! O importante é ter a certeza de que quem passa por isso, pode se recuperar. Basta dar o passo principal: procurar ajuda. Procure um psicólogo de confiança!

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